[RESENHA] PETER PAN

Título original: Peter Pan

Autor: JM Barrie

Editora Zahar {Clássicos de bolso luxo} – Ed. 2014 – 253 pág

INDICADOS PARA TODAS AS IDADES

SKOOB

Que eu amo ler um clássico não é nenhuma novidade, mas devo dizer que clássicos infantis não são meu forte, li pouquíssimos. Mas fiquem tranquilos, porque pretendo ler muito mais! Vamos concordar que com essas edições da Zahar fica impossível não querer conhecer todos os contos que sempre vimos em adaptações da Disney, mas que no original às vezes tem boas diferenças. O primeiro selecionado foi Peter Pan.

Ganhei essa edição de presente de amigo secreto em Dez 2017, nunca vou esquecer que minha amiga Isa disse “escolhi esse livro pra você porque vejo muito do Peter em você, ambos são espíritos livres”. Desde então eu fiquei muito intrigada em descobrir onde estava a semelhança que a Isa viu.

Acredito que grande parte das pessoas já conheçam o enredo desse clássico, mas para recapitular, lá vai:

Nunca existiu uma família feliz, nem mais simples. Até a chegada de Peter Pan

Peten Pan é um menino que não deseja crescer e ser adulto, através de magia ele permanece uma criança e vive na Terra do Nunca com seus amigos, Os Meninos Perdidos. Lá eles enfrentam aventuras e perigos todos os dias, inclusive o mais famoso dos vilões o Capitão Gancho, que nutre um ódio profundo por Peter.

A história ganha consistência quando Peter conhece Wendy e a convence a viajar com ele até a Terra do Nunca para torná-la a mãe dele e dos meninos perdidos. Junto com Wendy os seus irmãos mais novos Miguel e João também viajam para a Terra do Nunca, causando a mais profunda tristeza em seus pais, o Sr. e a Sra Darling e na inusitada babá deles Naná a cachorra da família.

Nestas praias mágicas as crianças sempre irão ancorar seus barquinhos. Nós também já estivemos lá; ainda podemos ouvir o barulho das ondas, mas nunca mais vamos desembarcar .

Por aí vocês podem entender como essa história não é nada comum, ela é cheia de peculiaridades, como Naná ser um animalzinho e mesmo assim, a melhor babá da rua dos Darling. A relação entre as crianças e os pais também é inusitada, a primeira vista a sensação que temos é que os pais não se importam tanto assim com eles, mas essa impressão muda no momento em que vemos o desespero deles diante do sumiço dos três filhos.

Peter Pan é um personagem misterioso, sua origem não fica muito clara, mas entendemos que ele não teve uma mãe muito amorosa, por isso ele realmente não gosta de mães, até que conhece Wendy, fica encantado pela sua delicadeza e esse amor infantil é entendido por Peter como amor maternal. Wendy por outro lado já possui alguma malícia e queria mesmo era namorar Peter! Mas o menino é ingênuo nesse campo, ele não enxerga nem mesmo o quanto Sininho o ama. Essa fadinha tão conhecida pelo seu desenho, tem nesse livro um papel sombrio, afinal, seu amor e lealdade a Peter beira a obsessão. É difícil ter por ela o amor que temos pela personagem da Disney, a Sininho de Barrie não é nem um pouco doce.

Sabe, Wendy, quando o primeiro bebê riu pela primeira vez, o riso dele quebrou em milhares de pedaços e todos eles saíram pulando, e esse foi o começo das fadas.

Apesar de ser um livro pequeno ele desperta muitos temas, cada personagem, por mais rápida que seja sua aparição, tem uma personalidade marcante. Cada menino perdido tem características psicológicas diferentes, é um livro encantador e assustador ao mesmo tempo. Tem um lado sombrio e violento encenado pelas batalhas entre o Capitão Gancho e os moradores da Terra do Nunca, essas batalhas são como de gente grande, Peter assume a postura de líder e os Meninos Perdidos de soldados, sem moleza, é bem assustador ver crianças tão inocentes lutando por suas vidas.

O que me leva a pensar: É possível ser ingênuo e doce como uma criança e ao mesmo tempo ser adulto e responsável pra lutar as batalhas da vida?

A personalidade de Peter me causou amor e ódio, igualmente. Se por um lado ele é divertido, descontraído e infantil em muitas coisas, por outro ele também é egoísta, exibido e mandão, chegando a ser malvado mesmo. Mas aí eu me pergunto, todas as crianças não são malvadas as vezes? Em suas malcriações quando desejam algo, no egoísmo de não querer dividir um doce ou um brinquedo? A diferença é que todas as crianças crescem, Peter não, ele não aprende a mascarar seus defeitos, ele é o que é e fim. Olhando por esse lado eu até admiro ele, afinal, duas caras ele nunca será.

Mas sim, é de fato Peter Pan é um personagem de espírito livre, no sentido de que faz o que quer, independente de quem está a sua volta, Peter dita as regras de sua vida e com isso posso dizer que a Isa acertou sim, me esforço diariamente para viver uma vida sem as amarras da sociedade que tenta nos impor tantas regras descabidas ou desnecessárias, se eu decidi que não quero ser mãe, por exemplo, não é a pressão social de cada visita a um parente que sempre pergunta porque não quero filhos, que vai me fazer mudar de ideia sobre o que quero pra mim. Outro grande exemplo é a sociedade capitalista que diz que temos que nos formar e sair da faculdade com um ótimo emprego, e ficarmos ricos até os 30 anos… quem disse que essa é a única forma de viver, entendem? Esse tipo de amarra não me domina, como Peter, eu prefiro viver a minha maneira.

A narrativa de um narrador-observador é pouco utilizada em outros livros como foi em Peter Pan, o narrador conversa com o leitor, é sarcástico e chega a dar spoilers do que ainda vai nos contar, é uma experiência bem legal, semelhante a um pai contando uma fábula a seu filho. O que aliás, eu recomendo, leiam para seus filhos dando vida a história como esse narrador.

A adaptação da Disney é bastante fiel a obra original, mas é claro, tem muito mais doçura.

Mas me digam, já leram esse clássico? O que acharam? Ele fez vocês se questionarem sobre a vida e as características de cada pessoas como fez comigo? Me digam nos comentários como gostam de viver suas vidas, mais livres ou preferem a estabilidades das regras sociais?

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6 comentários sobre “[RESENHA] PETER PAN

  1. Cecília Justen de Souza disse:

    Ah, Vivi, você é realmente Peter!
    Nunca li o livro e nem tenho, apesar dessa edição maravilhosa sempre me encantar. Prefiro conviver com a doçura que a Disney traz nos filmes, mesmo que eu goste dessa realidade egocêntrica de criança que Pan possui. Amei ler sua resenha e ver que você, e seu espirito livre, podem inspirar muitas pessoas a não seguirem essas normas sociais.

    Beijos!

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    • Isabela Manhaes disse:

      Olha, queria dizer que amei sua resenha e a forma que você discute o tema abordado no livro, relacionando com a sua vida. Que forma gostosa de escrever! Eu amo Peter Pan, mas ainda não li. Fiquei muito animada agora pra conhecer a história dessa forma mais sombria e real. Amo! Sobre como gosto de viver a vida, prefiro a liberdade, mas às vezes acabo presa nas minhas próprias regras (não necessariamente da sociedade). É meio louco isso, rs.

      Beijos,
      Isa
      taglibraryisa.blogspot.com

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  2. Miih S. disse:

    Eu também adoro clássicos! Nunca me canso de ler ou assisti-los. Essa edição é maravilhosa, adorei saber suas considerações sobre tudo! As características de Peter conquista ♥ Prefiro viver minha vida livre, mas acho que tudo precisa ser dosado na quantidade certa, ter limites também é bom, um freio para sabermos onde parar!

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  3. Jacqueline F-Gomes disse:

    Oi,tudo bem?

    Nossa amo a coleção de clássicos da editora Zahar, além de lindos tem um trabalho incrível em cada um. Ainda não li esse, o mais recentes dos clássicos lidos da zahar para mim foi: O mágico de Oz. Mas confesso que já tentei comprar o do peter pan, mas tava alto o valor.

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