[RESENHA] ADMIRÁVEL MUNDO NOVO

Título original: Brave New World

Autor: Aldous Huxley

Editora MediaFashion {Coleção Folha grandes nomes da literatura} – Ed. 2016 – 253 pág

INDICADOS PARA MAIORES DE 18 ANOS

SKOOB

Algumas leituras tem um dom para nos desestabilizar, essa com certeza foi uma delas, ao lado de 1984, o Conto da Aia, Fahrenheit 451 entre outros, Admirável Mundo Novo me incomodou, me deixou tensa e com algumas interrogações na mente sobre até onde vai a maldade o e egoísmo do ser humano.

Nesse universo distópico somos inseridos em uma sociedade “perfeita”, todo mundo é “feliz”, não existem doenças, pobreza, desemprego, tristezas, dores, sofrimentos, parece maravilhoso não? Você estaria disposto de ir até onde para ter essa vida? Abriria mão do que?

Nessa sociedade ninguém tem livre arbítrio, isso mesmo, ninguém vive o que quer, tudo é condicionado pelo governo, até mesmo os sentimentos. Vou tentar dar um breve relato pra vocês visualizarem até onde esse condicionamento chegou:

O conceito de família não existe mais, não existe casamento e os bebês nascem em garrafas, são fabricados e manipulados geneticamente, passando por várias etapas em que recebem elementos químicos e tratamentos psicológicos de acordo com o indivíduo que serão para o resto da vida.
Existem cinco castas na sociedade: Alpha, Beta, Gama, Delta e Epsilon. Os embriões Alpha estão destinados a se tornarem líderes do Estado Mundial. As castas Beta e Gama nascem para serem intermediários, são mentalmente muito capazes, mas nunca serão líderes. Os Deltas e os Epsilons nascem fisicamente deformados por falta de oxigênio e de tratamentos químicos são destinados ao trabalho mais duro, braçal; são resistentes à poluição e fisicamente mais fortes e marginalizados, tudo pensado e determinado quando ainda são embriões, tudo meticulosamente manipulado. Ninguém nasce Delta e sente vontade de crescer na vida, eles são psicologicamente manipulados para amarem a vida quem tem.

Quando crianças crescem em centros, são treinados para serem felizes, participam de jogos sexuais para se satisfazerem, para sempre estarem em estado de felicidade. Através da dor ensinam a essas crianças o que elas não devem gostar, e isso pode incluir as coisas mais simples, como livros ou flores. Um indivíduo que vai trabalhar em um local fechado por exemplo pode passar por esse processo, para que ame seu local fechado e tenha total aversão ao que é externo.

E se por acaso depois de adulto alguém sentir algum mal estar, ou a menor sombra de tristeza, o governo ainda dispõe de uma droga chamada “soma”, doses diárias dela são distribuídas para garantir que as pessoas vivam em estado de “felicidade”.

Existe um consumismo desenfreado e uma total aversão a qualquer coisa que seja diferente desse mundo novo. Os cidadãos são completamente preconceituosos, odeiam tudo que consideram “feio” ou “imoral”, isso inclui o conceito de família, gerar filhos, envelhecer naturalmente, coisas que são completamente normais no nosso mundo, foram totalmente abolidas, não existe a arte e cultura que conhecemos, não existe religião ou Deus. Eles transformaram Ford em uma divindade, deixando totalmente claro o industrialismo e conceito de massificação. Ninguém fica a sós nunca, qualquer um que queira isso é considerado estranho e pode até ser expulso da sociedade, porque tem pensamentos impróprios.

Acredito que vocês tiveram uma ideia da gravidade da situação desse mundo novo, nada admirável…

Aldous Huxley afirmou em 1932 que a raça humana, no ano de 2540, seria destruída pela ignorância, teria um desejo constante de entretenimento, teria o domínio da tecnologia e uma superabundância de bens materiais. Não acho que demorará tanto tempo assim no pé que estamos…

Não foi um livro agradável de se ler, me vi sentindo vergonha de cada atitude egoísta dessa sociedade que busca a vida perfeita e está disposta a pagar qualquer preço por isso. A pior parte é ver que atualmente muita gente faz isso, valorizam a promiscuidade, o desapego aos valores familiares, buscam prazer todos os dias, tornam-se adultos imaturos, que não sabem resolver problemas de relacionamento, fogem de responsabilidades e qualquer coisa que cause dor. Ouso dizer que se hoje o governo oferecesse a “soma” mais da metade do mundo aceitaria de bom grado, seguiriam qualquer coisa imposta a troco de sua “felicidade” momentânea.

Desde a eleição de Trump nos EUA dizem a venda desse livro aumentou, assim como a de 1984, entre outros livros distópicos, isso é muito bom, porque prova que uma parte das pessoas ainda pensa por si só, e procura se munir de conhecimento, para não ser facilmente manipulada. Mas em contra-partida temos crianças sendo criadas pela TV e pela internet, que valorizam um tweet como verdade, que propagam mentiram com um click, porque tem preguiça de pensar por si só, é uma situação complicadíssima, que eu desejo que todos vocês enxerguem e fiquem atentos, para não se deixar levar na onda da “vida perfeita”.

O fato é que precisamos passar por algumas tristezas e frustrações na vida, isso nos molda como seres humanos. Não busquem só experiências perfeitas, leituras perfeitas ou relacionamentos perfeitos. Saibam amadurecer nos momentos difíceis, isso te fará sentir mais empatia com o próximo, te fará um ser humano mais forte. A perfeição não existe nesse mundo, não vale a pena buscá-la.

Esse livro tem personagens e enredo que vocês podem ler em muitas resenhas por aí, mas eu quis falar sobre todo esse conceito utópico que considero o mais importante dessa obra. Daria pra falar muito sobre ele, mas vou parar por aqui. Caso já tenham lido deixem sua opinião nos comentários, vou ficar feliz em poder conversar mais sobre esses problemas.

Essa edição está muito boa, não é pesada, conta com um prefácio muito explicativo, tem papel amarelado e de boa gramatura e a capa é dura.

Essa foi uma leitura para o clube Cápsula Literária aqui em SP, para conhecer ou participar acessem aqui.

11 comentários sobre “[RESENHA] ADMIRÁVEL MUNDO NOVO

  1. Renata disse:

    De fato esse não é um livro agradável de se ler… lembro que ao terminar passei vários minutos odiando tudo aquilo que havia lido. Fazem cerca de cinco anos que eu li, talvez menos, depois deste vieram 1984, Fahrenheit, O conto da Aia… todos eles trazem um sentimento parecido: angústia.

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  2. Jessica Rabelo | Fantástica Ficção disse:

    Oi Vivi.
    Eu li recentemente (leia-se ontem) o final de uma trilogia que fala exatamente sobre isso. Sobre como a sociedade utópica é impossível por conta do egoísmo da sociedade, sendo alcançada apenas por um governo totalitário. Sinceramente, eu adorei a resenha e tenho certeza que vou amar a leitura desse livro. Pois se estamos ameaçados, livros assim são essenciais.
    Beijos.
    Fantástica Ficção

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  3. Crônicas de Eloise disse:

    Oi Vivi amei demais a resenha,
    Não li este livro ainda, mas pelo que vejo será uma leitura difícil, no sentido de olhar toda essa situação e se sentir cada vez mais angustiada e revoltada. Concordo com você, precisamos passar por momentos difíceis, pois a cada dificuldade e superação, crescemos e amadurecemos. Fiquei com muita vontade de conhecer a obra! Já quero ler! Além do livro, tem algum filme ou série sobre? Pois daria uma ótima adaptação também.

    Bjoas da Elo!
    http://cronicasdeeloise.blogspot.com/

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  4. Gisele Lopes - Abdução Literária disse:

    Oi, Vivi! Esse livro está na minha wishlist de livros essenciais para ler. Me senti bastante angustiada lendo a sua resenha, então posso imaginar como deve ter sido a sua leitura (ou não). O grande poder da distopia é especular potenciais futuros, levando-se em conta a nossa sociedade atual. E por isso ela pode ser tão assustadora, da mesma forma que eu imagino se alguém do passado pudesse vislumbrar o nosso presente, também iria se assustar? Enfim, são reflexões válidas, por isso que gosto tanto desse tipo de livro, que incomoda, mas ainda sim é essencial. E como você mesma disse, saber que esse tipo de literatura está em alta, depois do que vem acontecendo, dá uma pontinha de esperança. Adorei a resenha! Pretendo ler esse livro o quanto antes. Beijos!

    http://abducaoliteraria.com.br

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  5. Viviane Almeida disse:

    Oi Vivi, esse livro está na minha lista de leituras de março e, espero sinceramente consegui lê-lo assim, como 1984 que são duas distopias essenciais. Sobre ter ficado incomodada com a leitura dessa distopia, acredito que essa seja a intenção desse gênero literário: incomodar a sociedade, para que não deixemos isso acontecer no futuro. Infelizmente, o ser humano prefere aprender da maneira mais difícil.

    Adorei a sua resenha e, espero conseguir expressar a minha opinião sobre esse livro tão bem quanto você, porque ela me deixou com vontade de parar todos os livros que estou lendo agora e pegar Admirável Mundo Novo!

    Beijos e Abraços da VIVI
    http://resenhasdaviviane.blogspot.com

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  6. Jacqueline F-Gomes disse:

    Oi,tudo bem ?

    Não conhecia o livro e ele já me pareceu impactante com toda a proposta, além do fato da narrativa desestabilizar o leitor e levantar questões que devem sim ser mais debatidas. Gosto de distopias exatamente por isso ,tem tantos livros maravilhosos que nos joga na cara algo que já está acontecendo e nos mostra como se fosse anos a frente, para termos uma visão de como aquilo pode evoluir. Com toda certeza essa é uma ótima indicação .

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  7. Helena Medeiros disse:

    Oii!
    Ainda não conhecia este livro, se já vi, passou despercebido. Mas acredito que não leria, já fico bem irritada com tanta coisa na sociedade, que acredito que só ia piorar kk. Você escreveu a resenha maravilhosamente, adorei a forma como apresentou suas opiniões, parabéns!

    Beijos!

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