[RESENHA] PSEUDÔNIMO MR. QUEEN

PseudônimoMrQueen (1)Autora: Loraine Pivatto

Produção Independente – Ed. 2015 – 404 págs.

 Booktour – Se interessou pelo livro? Participe do booktour entrando em contato com a autora lorainepivatto@gmail.com

FAVORITADO!

Skoob

INDICADO PARA MAIORES DE 14 ANOS

Sinopse:

O ano é 2012,

Dia 21 de dezembro,

E a temida profecia maia acaba de se cumprir.

 

Os escolhidos iniciam um novo mundo, baseado nas novas regras passadas através dos sonhos.

Agora serão 2 vidas:

A primeira até os 70 anos,

A segunda, a partir dos 20 e até os 100.

150 anos no total.

Nenhum segundo a mais.

A nova sociedade começa a surgir:

Sem desigualdade,

Sem dinheiro,

Sem doenças,

Sem possibilidade de mortes prematuras,

Exceto por uma maneira.

Uma única maneira de morrer, mas que não pode ser revelada.

Um segredo que precisa ser guardado.

Para salvar a sociedade de si mesma.

 

Em 2012 Regina Brandão flagrou uma traição de seu marido com sua melhor amiga Vanessa. Em sua fúria ela pega um revolver e atira em Vanessa. Nesse momento algo acontece e Regina acorda no chão de um ginásio.

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O mundo que Regina conhecia acabou e uma nova sociedade surge. Aqui não há mortes por doenças ou assassinatos. Todos vivem 2 vidas, uma até os 70 anos e outra que inicia aos 20 e vai até os 100. Ninguém vive nem um segundo a mais e nem a menos. Regina não entende porque foi escolhida para ser salva e iniciar essa nova geração de humanos, ela havia acabado de se transformar em uma assassina.

O novo governo supre todas as necessidades da população. Todos ganham a mesma parcela de alimento, moradia, trabalho e lazer. Livres de crimes e competições gananciosas a nova sociedade parece perfeita.

Mas nada ocorre de forma tão simples.

“Os sobreviventes continuavam os mesmos homens e mulheres da vida antiga, cheios de empáfia, arrogância e presunção. Ou talvez ainda piores.” Pág. 59

Incomodados com essa vida igualitária alguns cidadãos conseguem propor que o governo desenvolva uma forma de diferenciá-los. E em 2030 a Tabela Universal de Valores (TUV) é desenvolvida. Com notas de 1 a 5, agora todo cidadão pode ser mais, ou menos importante na sociedade. As notas são dadas de acordo com a vida de cada indivíduo, a vida pessoal, profissional, o físico, relacionamentos amorosos e familiares. Tudo é observado para determinar o quanto cada pessoa é bem sucedida.

Começa então uma corrida para desenvolver a vida perfeita. Os cidadãos vivem para aumentar suas notas TUV, chegando ao absurdo de trocar marcações nas redes sociais para aparentar uma vida social ativa e feliz. Parece familiar pra vocês?

“A nossa moeda apenas deixou de ser o dinheiro e passou a ser as realizações de cada indivíduo.” Pág. 191

Dividido em 3 partes o livro conta a história da família Brandão. Regina estava com 45 anos quando o mundo acabou, acompanhamos a vida dela e todas as suas dificuldades em compreender seu papel nesse novo mundo. De personalidade fraca antes dessa nova vida, vemos Regina se transformar em uma pessoa sábia e detentora do maior segredo desse novo mundo: O segredo da morte. Ela e alguns poucos escolhidos devem guardar esse segredo para sempre. Protegendo a humanidade da ambição daqueles que querem dominar usando o poder da morte.

“Defender a sociedade dela mesma, protegendo o segredo da morte, que se um dia fosse descoberto, certamente seria usado como moeda de troca.” Pág. 163

A segunda parte conta a história de Larissa Brandão, a Lara, “neta” de Regina. Foi a narrativa que mais gostei, talvez por ser a mair longa, vivemos mais com a personagem.

E a terceira parte conta a história de Vitória Brandão, filha de Lara.

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As 400 páginas do livro relatam a vida toda das 3 mulheres, são muito anos e acontecem muitas, mas muitas coisas. O livro é recheado de plot twist. Absolutamente nada acontece sem uma razão. Todas as relações e decisões da vida das protagonistas têm consequências. Em vários trechos o mistério era tão intenso que acabava não entendendo quase nada do que estava acontecendo, mas o desenrolar sutil revela em cada capítulo uma nova surpresa e no final tudo se encaixa como em um imenso quebra-cabeças, sem pontas soltas.

A autora desenvolveu uma história que eu enxerguei como distopia, mas li no blog Lapso de Leitura que o termo correto é Ficção Especulativa, vocês conhecem? Nesse gênero o tema abordado é uma suposição do que aconteceria ao mundo real após um determinado evento. Como podemos observar, todo o enredo se passa no Brasil, várias cidades como São Paulo e Rio de Janeiro são citadas com novos nomes. Então temos um mundo real mas, em uma situação especulativa.

“Não há sistema de governo que sobreviva à podridão de caráter de seus administradores.” Pág. 192

A grande sacada que adorei na obra é que observamos que mesmo que o mundo seja zerado e você dê todas as possibilidades para que os seres humanos sejam felizes, alguns pouco insatisfeitos e gananciosos darão um jeito de burlar o sistema para benefício próprio. A maldade é natural na raça humana, mesmo que na minoria, e o maior problema é que elas não medem esforços para “se dar bem”. Um dos personagens dessa obra é a personificação desse tipo de indivíduo. E demoramos muito para identificá-lo.

“No íntimo, todos pensam apenas em si mesmos.” Pág. 159

O nome Mr. Queen se refere a um artista anônimo que surge nessa nova sociedade e alcança sucesso mundial através das massas que utilizam as mídias sociais. É o poder da internet globalizada, onde a mídia pode elevar um artista a pop-star ou derrubá-lo na sarjeta. Mr. Queen será peça chave no desfecho da obra exatamente por ser anônimo e amado.

“Outra redes sociais também podiam ser utilizadas, mas o happiness book era a rede oficial.” Pág. 121

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Eu amei a leitura, acho um universo totalmente possível, principalmente se você observar que várias situações descritas já acontecem no nosso cotidiano: a luta desenfreada por aparentar uma vida feliz, as mentiras refletidas nas redes sociais que podem transformar alguém em ídolo amado ou em indivíduo excluído. A ganância de alguns que chega a atingir a loucura, a busca excessiva pela perfeição física, e acredite se quiser, mas o grande mal desse mundo novo é a depressão causada pela pressão em desenvolver uma vida plenamente feliz.

“Onde já se viu debates tão superficiais? Toda a informação precisa caber em 140 caracteres? Quem consegue sintetizar e distorcer a ideia, em poucas horas acaba ganhando uma legião de seguidores.” Pág. 228

Enfim, todo o universo de Pseudônimo Mr. Queen é um enorme laboratório que tem muito a nos ensinar sobre os rumos da sociedade. Lembrou-me bastante a obra Fahrenheit 451 (se você não conhece sugiro que leia a resenha).

A edição possui uma capa simples, mas de qualidade e não encontrei erros ortográficos. Trocaria somente o papel por um mais leve, porque com pouco mais de 400 páginas o peso do livro incomodou um pouco ao longo da leitura.

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Os capítulos são curtos e bem divididos, me senti vivendo na pele de cada uma das protagonistas, elas são cheias de defeitos e qualidades e é muito fácil se identificar com elas nas situações vividas.

Foi minha primeira participação em um booktour, achei a ideia muito criativa, gostei muito da experiência e indico para todos que querem conhecer a obra! E claro… Já quero meu exemplar na estante!!!

“Nunca deixe que a sua felicidade seja dependente de nada e nem de niguém.” Pág. 101

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26 comentários sobre “[RESENHA] PSEUDÔNIMO MR. QUEEN

  1. Loraine Pivatto disse:

    Puxa, Vivi, muito obrigada pela sua resenha!!! Simplesmente o máximo! 🙂
    É muito gratificante saber o quanto a história te cativou… Sem palavras…
    Muito obrigada, mesmo!
    Grande beijo

    Curtido por 1 pessoa

  2. Camila Mondaini Paulino disse:

    Oi Vivi!
    Cenários pós-apocalípcticos sempre me chamaram atenção, principalmente pelo fato de ser sobre aquela profecia maia que o mundo terminaria em 2012. Fiquei curiosa sobre essas duas vidas e como a história se desenrolou para Regina após a traição. Fiquei com muita vontade de le o livro.

    beijinhos!

    Curtido por 1 pessoa

  3. Mirelle Almeida disse:

    Oi, Vivi!
    Menina, nunca li uma história parecida a essa, pelo menos não da forma que se inicia. Eu não sabia que existia esse termo para definir uma obra, eu também, pelo que você descreveu, a colocaria como distopia, mas enfim, “é vivendo e aprendendo”, já dizia alguém sábio. É tão bom quando o livro nos surpreende de uma forma boa, né? Amei a premissa. Realmente, o ser humano tem na sua essência a maldade, e por mais que formulem regras, ele sempre vai querer mais e mais e isso acaba criando um caos que atinge a todos. Parece ser que a autora traz uma denúncia, uma crítica, à nossa sociedade. Vivemos de aparência e não nos cansamos de querer muito mais do que precisamos. Outra coisa que me interessou, é que o livro é moldado sob três personagens femininas, muito interessante! E esse Mr Queen? Amei o mistério que a autora coloca com respeito a ele. Super curiosa aqui!

    Beijooos

    Curtido por 1 pessoa

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